Categories: Pra Guardar

Abril/2026 Pra Guardar

Uma das pergunta que escuto é: “você não enjoa de fotografar as mesmas coisas?” Mas a verdade é que essa sensação nunca chega.

Porque, mesmo quando o trabalho tem o mesmo nome, a história nunca é igual. Uma família nunca é igual à outra. Um casal nunca vive o amor da mesma maneira. Nem dois aniversários conseguem carregar a mesma energia. É isso que faz cada mês parecer diferente do anterior.

Abril me lembrou disso mais uma vez.

Em uma semana, fotografei crianças correndo de um lado para o outro em festas de aniversário. Na outra, encontrei o silêncio de um batizado. Depois vieram ensaios de família, campanhas de moda, retratos para capas de álbuns musicais, ensaios de aniversário e fotografias para meus álbuns clássicos. A câmera era a mesma. O olhar precisava mudar o tempo todo.

Entre tantas histórias, uma delas provavelmente nunca vai se repetir. Três irmãs, grávidas praticamente ao mesmo tempo, reunidas para celebrar a chegada dos seus bebês. Enquanto fotografava, pensei que, daqui a alguns anos, aquelas crianças vão olhar essas imagens sem imaginar o quanto aquele encontro era improvável. Talvez seja justamente aí que a fotografia encontre um dos seus maiores sentidos: guardar aquilo que um dia parecerá impossível de lembrar com todos os detalhes.

Abril também trouxe um projeto que eu esperava há bastante tempo. O relançamento do Arquivo.

Ele nasceu inspirado naqueles antigos álbuns de fotografias em saquinhos 10×15 cm que muitas famílias ainda guardam em casa. Álbuns simples, feitos para serem abertos sem cerimônia, passados de mão em mão e revisitados sempre que bate a vontade de lembrar de alguém ou de algum momento. A ideia foi manter essa essência, mas dar a ela uma nova apresentação, mais atual.

Enquanto preparava esse relançamento, percebi uma coincidência bonita. A série “pra guardar” e o Arquivo nasceram da mesma ideia. Os textos guardam histórias. Os álbuns guardam fotografias. E, no fim, ambos existem pelo mesmo motivo.

Entre todos os trabalhos do mês, houve também uma manhã que começou antes do sol aparecer. Encontrei a Nathália e o Wesley na praia enquanto o céu ainda mudava de cor. É curioso como o nascer do sol nunca acontece da mesma forma. Às vezes as nuvens escondem a luz. Às vezes elas transformam completamente a paisagem. Naquele dia, tudo aconteceu no tempo certo, e o resultado virou um ensaio que ganhou um espaço próprio aqui no blog.

Abril terminou acompanhando um casal que decidiu renovar seus votos em um jardim cercado por oliveiras. Não havia a ansiedade comum dos casamentos. Havia calma. A tranquilidade de quem já construiu uma vida inteira junto e escolheu celebrar essa caminhada mais uma vez. Fotografar aquele dia me fez lembrar que algumas histórias não ficam mais bonitas porque começaram ontem. Elas ficam mais bonitas porque continuam sendo escolhidas todos os dias.

Quando olho para as fotografias deste mês, vejo muito mais do que diferentes tipos de trabalho. Vejo pessoas vivendo fases completamente distintas da vida. Algumas estavam começando uma família. Outras comemoravam um aniversário. Algumas lançavam novos projetos. Outras celebravam décadas de casamento.

E, de alguma forma, todas elas confiaram a mim a missão de transformar esses momentos em lembranças.

Esse é mais um capítulo da série pra guardar, um espaço onde reúno fotografias que contam um pouco do caminho percorrido, das pessoas que cruzaram minha lente e das histórias que tive o privilégio de registrar.

No fim das contas, o tempo sempre passa.

Ainda bem que algumas coisas conseguem ficar.

Se você gosta de acompanhar essas histórias, aproveite para conhecer também meus trabalhos de casamentos, ensaios de família, editoriais e álbuns impressos. E, se ainda não viu, confira o ensaio da Nathália e do Wesley na praia ao nascer do sol, publicado aqui no blog.

Deixe um comentário